quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vazio.

Uma estaca foi cravada em meu peito, e agora já não vejo mais a luz, meus olhos se fecharam e deles só saem água. Não reconheço onde estou, uma sala vazia e escura, não escuto nada, nem minha própria respiração, esse lugar me dá calafrios, eu sinto medo, mas não tanto medo quanto sinto de minhas lembranças, tão frias e sem vida. A paisagem muda, agora estou em um bosque, imenso onde já não sinto a estaca, mas toma o lugar dela uma solidão danada, que me sufoca, não me permite respirar, tudo ao meu redor parece correr, como se seres de todos os tipos esbarrassem em mim, tentando me derrubar, riem de mim, apontam meus defeitos, eu tapo meus ouvidos e grito pra que parem, não quero ouvir o que tenho de errado, não consigo admitir que sou injusta em certos momentos, caída no chão fecho os olhos chorando descontroladamente. O silêncio toma conta novamente, e eu retorno a sala vazia, minhas lembranças reaparecem, e a estaca vai sendo cravada aos poucos, para doer mais, mesmo o silêncio sendo melhor que aquela floresta, ainda é torturante, eu busco meios de sair deste lugar, mas do nada estou submersa num mar de aguas negras, e incrívelmente consigo respirar e enxergar através daquela escuridão, lá ao longe vejo algo brilhante, parecendo ser tão maravilhoso prum mar tão morto, me aproximo e percebo que é a estaca que estava cravada até pouco em meu peito, mas que com a calmaria não tinha percebido que a dor sumira, a observo cautelosa, temendo a dor, temendo ela ser cravada pela terceira vez em mim, me afasto rapidamente, prefiro a escuridão do que o brilho do que me traz tanta dor, a calmaria toda me transmite muita paz, e ao mesmo tempo agonia, procuro por todo canto algum lugar por onde eu possa sair, aonde possa me esquivar, mas nada. Tudo muda e ao invés da sala vazia de antes, a mesma sala está cheia de pessoas que antes eu considerava amigos, mas agora estão me torturando, dizendo coisas que eu não lembro ter feito, cobrando atitudes que eu não havia prometido, e com isso a estaca vai entrando mais fundo em meu peito, me dilacerando por dentro, eu quero falar para que parem, mas minha voz não sai, e sou obrigada a ficar deitada esperando que acabem de uma vez comigo, que todas aquelas palavras me firam mais ainda, até que eu não aguente mais, quando estava já desistindo de tentar gritar uma luz ressurge da estaca que é arrancada e eu consigo gritar para pararem. E ai acordei, chorando, desesperada, achando que tudo fora realidade, o pior pesadelo de toda minha vida, nada mais crucificante do que recordar todas minhas promessas não cumpridas, todas as minhas atitudes erradas da pior forma possível, sonhando com a própria alma.

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